segunda-feira, julho 02, 2007

Tribuna Livre - Luis Fernando Reis II

Reclamar é fácil. Difícil é fazer. Com certeza. Isso não significa que quando algo é mal feito, seja por qual razão for, tenha que ser eternizado em sua mediocridade.

Infelizmente não conheço uma pessoa, de qualquer categoria, de qualquer cidade, que teça elogios ao trabalho da CBDA e federações no desenvolvimento do Polo Aquático brasileiro. Fácil de mudar o quadro não é. Mas tem que mudar, ou joga-se a toalha de vez.

O Touca 14 WP Blog está dando uma contribuição impagável ao Polo Aquático brasileiro ao tirar o foco do zumzumzum da "rádio-piscina", publicando dados concretos que mostram a viabilidade de uma Associação de Polo Aquático. Caso alguém discorde, a hora é excelente para apresentar contra-argumentos. O que se precisa é criar uma debate real sobre o tema e assumir responsabilidades. É mais difícil do que apenas reclamar. Mas pode dar mais resultado.

Segue o texto do Luis Fernando Reis. E ele já está com o próximo engatilhado:

O mundo do pólo aquático tem como verdade que este esporte é dependente da natação na CBDA. Se não tivesse atrelado à esta mesma confederação, não sobreviveria. Infelizmente, ouço isso até dos dirigentes do pólo aquático que comandam nosso esporte naquela confederação.

Primeiramente, observa-se, na estrutura da CBDA, no seu organograma " diretoria esportiva ", a presença de 4 pessoas, sendo que três relacionadas ao pólo aquático masculino, portanto não existe nesta dita diretoria esportiva um responsável pelo pólo aquático feminino e uma pessoa responsável pela arbitragem, que sinceramente não deveria estar ligada a diretoria esportiva, pois nesse mesmo organograma existem coordenadorias, onde deveria estar posicionado a arbitragem do pólo aquático brasileiro, tal como a Coordenadoria de Arbitragem de Natação.

Os outros esportes: o nado sincronizado tem dois dirigentes e hoje este esporte, temos que reconhecer, está bem mais presente na mídia do que o pólo aquático; os saltos ornamentais tem um dirigente e as marotanas aquáticas também contam com um.

Portanto, é óbvio que o nosso quadro de dirigentes está inchado e isso não é nem um pouco benéfico para o pólo aquático, servindo apenas como moeda de troca para apoio político em futuras eleições. Aliás, corre o boato que será criado um novo cargo ligado a seleção brasileira júnior. Realmente, o único cargo na CBDA que cuida do pólo aquático é o da Coordenadoria Técnica de Pólo Aquático.

Agora vamos demonstrar quais são os critérios para o repasse da verba do COB - Comitê Olímpico Brasileiro para as confederações (Instrução Normativa 1/2004 do COB, que disciplina a aplicação dos recursos financeiros decorrentes da Lei 10.264, de 16 de julho de 2001 - Lei Agnelo/Piva, regulamentada pelo Decreto nº 5.139, de 12 de julho de 2004)
Elas precisam atingir os seguintes critérios estabelecidos:

a) Nível Técnico atingido pelas modalidades das Confederações Brasileiras filiadas:
a - 1) Sul-Americano;
a - 2) Pan-Americano;
a - 3) Mundial;
a - 4) Olímpico.

b) Probabilidade e posterior confirmação de classificação entre os finalistas:
b - 1) Jogos Sul-Americanos;
b - 2) Jogos Pan-Americanos;
b - 3) Jogos Olímpicos.

c) Número de Praticantes da modalidade inscritos ou registrados oficialmente.

d) Número de Federações filiadas as Confederações.

e) Infra-Estrutura Técnica e Administrativa para o Desenvolvimento da Modalidade.

f) Aquisição de Material e Equipamento para o Desevolvimento da Modalidade.

g) Resultado do Diagnóstico e Análise das Modalidades Olímpicas, realizado pelo COB, anualmente.


Em cima desses critérios, a distribuição percentual para as confederações é estabelecida dentro do ciclo olímpico, ou seja, de quatro em quatro anos. Atualmente, de 28 confederações, as seguintes atingiram o percentual máximo de 4% (quatro por cento), em 2006:

- Confederação Brasileira de Atletismo - R$ 2.308.238,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Basquetebol - R$ 2.181.233,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos - R$ 2.252.940,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Ginástica - R$ 1.837.978,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Vela e Motor - R$ 2.470.908,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Voleibol - R$ 2.849.983,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)

Esses recursos, oriundos da Lei nº 10.264 - Lei Agnelo/Piva, deverão ser aplicados conforme o Plano Estratégico Plurianual de Aplicação de Recurso, do ciclo olímpico de quatro anos, nos programas de:

a) Fomento e Desenvolvimento do Desporto:
a - 1) Manutenção da Entidade;
a - 2) Centro de Treinamento;
a - 3) Fomento da modalidade;

b) Formação de Recursos Humanos:
b - 1) Clínicas de Treinamento Prático ou Teórico;
b - 2) Cursos Nacionais;
b - 3) Cursos Internacionais;
b - 4) Assembléias, Feiras, Congressos, Simpósios e Seminários Nacionais e Internacionais;

c) Preparação Técnica, Manutenção e Locomoção de Atletas:
c - 1) Manutenção e Locomoção do Atleta;
c - 2) Manutenção e Locomoção de Comissão Técnica;

d) Participação em Eventos Esportivos:
d - 1) Participação em Eventos Nacionais;
d - 2) Participação em Eventos Internacionais;
d - 3) Organização de Eventos Nacionais;
d - 4) Organização de Eventos Internacionais.

Analisando o que foi exposto acima, observa-se que a CBDA, em relação ao pólo aquático, deixa a desejar em todos os ítens. No próximo "O fim do pólo aquático ?", demonstraremos que o pólo aquático ajuda a CBDA a conquistar o índice máximo de 4%, não tendo, em contra-partida, o que está previsto nas letras a, b, c e d.


Em relação a nossa pretensão da criação da, pelo menos, Associação Brasileira de Pólo Aquático, iniciaríamos com o percentual de 1% de recursos da Lei Agnelo/Piva, pois com exceção das Confederações Brasileiras de Desportos na Neve e Desportos no Gelo, que tiveram uma previsão orçamentária de 0,5%, com valor de R$ 242.000,00, em 2006, todas as outras confederações receberam, pelo menos, como previsão, 1%, que daria R$ 476.000,00. Nota-se abaixo, que todas tiveram variação, mas receberam o que estava mais ou menos planejado. Inclusive, a já existente e participante do COB, Associação de Hóquei sobre Grama e Indoor.

Desportos na Neve - 0,5% - R$ 360.982,00 (previsto: R$ 238.000,00)
Desportos no Gelo - 0,5% - R$ 242.067,00 (previsto: R$ 238.000,00)
Badminton - 1,0% - R$ 499.524,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Hóquei s/ Grama e Indoor - 1,0% - R$ 259.374,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Lutas - 1% - R$ 353.268,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Pentatlo Moderno - 1% - R$ 520.502,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Taekwondo - 1% - R$ 426.558,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Tiro com Arco - 1% - R$ 588.058,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Beisebol e Softbol - 1,5% - R$ 845.160,00 (previsto: R$ 714.000,00)
Tiro Esportivo - 2% - R$ 913.258,00 (previsto: R$ 952.000,00)
Triathlon - 2% - R$ 1.181.407,00 (previsto: R$ 952.000,00)
Canoagem - 2,5% - R$ 1.089.722,00 (previsto: R$ 1.190.000,00)

Por isso, com certeza, a nossa Associação Brasileira de Pólo Aquático ou a autonomia administrativa e financeira dentro da própria CBDA começaria com uma verba disponível de R$ 476.000,00, sem contar com patrocínios e, como demonstraremos no próximo post, os resultados alcançados pelo pólo aquático, que, ao final de quatro anos, aumentariam o repasse para, pelo menos, 2%, que hoje seria uma verba prevista de R$ 952.000,00. Valores tanto o primeiro como o segundo que hoje a CBDA, certamente, não destina ao pólo aquático brasileiro.

Foto: defesa da vitória da seleção brasileira feminina contra a Nova Zelândia no Mundial de Melbourne.

1 Comments:

Anonymous luisfernandoreis said...

Helcio, obrigado pela divulgação.
O que eu quero reafirmar é: o pólo aquático não pode e não deve achar que vive das migalhas da CBDA. Quando a CBDA manda bolas (caixas), não é boa vontade dela e sim obrigação, conforme está neste meu artigo. Tinha que mandar bolas, traves, cronômetro e etc. Quando voce reclama que não tem nada, voces aí tem esse direito e não somente nós do eixo Rio x São Paulo. Aguarde o próximo artigo em que demonstrarei que o Pólo Aquático agrega pontos para a CBDA e não ao contrário como é divulgado pelos nossos dirigentes e infelizmente até pelos próprios clubes.

03 julho, 2007  

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