sexta-feira, maio 04, 2007

Aprendendo com quem sabe

Lá por 1980, aos 24 anos, Ricardinho percebeu que a dedicação de treinar todos os dias para brilhar no Fluminense e na seleção brasileira não o levariam muito longe. Diminuiu a intensidade dos treinamentos, foi à luta, venceu também fora das piscinas, mas nunca deixou de verdade o Polo Aquático.

Ontem, 27 anos depois, esse mesmo cara, hoje um empresário bem sucedido e vice-presidente de Esportes Olímpicos do Fluminense, desceu do aeroporto em Fortaleza e correu pra piscina do Náutico. Foi passar pra garotada cearense um "basicão" de treinamentos, muito em função do que ele observou no Circuito. Nós ficamos muito gratos pela visita. Muito obrigado Ricardinho!

E falando em observações sobre o Circuito, segue um material fantástico preparado pelo Perrone. Leia, releia, leve pra debater ponto a ponto com seu treinador e com seu time. Aproveite:

Para dar uma força para o pessoal aí do Circuito, mando, abaixo, alguns comentários gerais sobre o que achei dos jogos da etapa de Natal. Preferi fazer uma apreciação geral, sem especificar equipes ou jogadores, porque para isso eu teria de ter prestado mais atenção e visto mais jogos.


1-
O nível geral de preparo físico e empenho foi uma surpresa para mim e para outros jogadores do Rio. Estava bem acima do que esperávamos e demonstra que o pessoal está com vontade de aprender e de jogar. Sempre falo que isso é o mais importante. Pelo menos umas três vezes por ano vem algum técnico no Rio ou São Paulo me falar que apareceu um garoto novo, alto, forte, com potência no chute etc e que ele acha que vai ser um craque. Minhas perguntas são sempre as mesmas: Gosta de treinar? Fica batendo bola depois do treino? Aparece no clube nos fins de semana e feriados para chutar a gol? Fica uma hora esperando para jogar dois minutos do coletivo do adulto? Se a resposta não for sim para a maioria destas perguntas, pode ter 2,10m, 120 kg e nadar os 100m para 48s que não vai ser um craque. Já para quem gosta mesmo, tudo é possível.

2- Como eu já tinha observado em um video que há muito tempo o Hélcio tinha colocado no blog, a forma de apitar faltas no centro está distorcendo toda a tática e técnica de jogo de vocês. É só ver os videos de jogos de equipes internacionais, ou mesmo de equipes do sudeste, para verificar que o objetivo principal do ataque, até os últimos segundos de posse de bola, é conseguir pingar uma bola limpa para o centro quando o defesa esteja em suas costas, pois a expulsão é praticamente certa. Por outro lado, toda a preocupação da defesa é não deixar que essa pingada seja feita , seja marcando pressão para manter a bola em uma posição de onde não seja possível pingar sem passar pelo beque ou seja colocando um ou mais jogadores próximos ao centro para impedir o passe (defesa por zona). Só no final do ataque é que, se não for possível pingar, alguém tenta um chute de fora. Como alguns juízes estão apitando ainda com a interpretação antiga, em que o defesa passava por cima do centro e era dada falta simples, a consequência óbvia é que:o beque continua marcando por trás do centro e não pelo lado e a defesa não se preocupa em impedir a pingada. Dêem uma olhada nos videos dos jogos da Espanha que o Hélcio está disponibilizando que isto fica muito claro.

3- Quando o marcador de centro pega um lado e se coloca entre o centro e a bola, os centros muitas vezes estavam tentando rodar o defesa e acabavam fazendo falta. O correto é manter a posição, cabendo aos outros atacantes a função de fazer a bola girar e ir para o lado favorável ao centro. Da mesma forma, achei que os centros estavam tentando às vezes empurrar o marcador com muito pouco tempo de ataque. Além do risco do árbitro ver e marcar falta, se a bola não for passada, ele terá se colocado fora de posição e terá de lutar muito mais para voltar ao local correto, deixando seu time torto. Este tipo de empurrão só deve ser tentado no final do ataque, quando a atenção do árbitro já está se voltando para as tentativas de chute do perímetro, e não no início, quando está mais atento à luta no centro.

4- Uma jogada que está sendo muito utilizada e quase não vi vocês tentarem é o chute após falta nos 5m. É um chute difícil e que precisa ser bem treinado, mas pode ser extremamente eficiente para jogadores com muita força nas pernas. Vejam o Guilherme Molina da seleção da Espanha, por exemplo.

5- Está havendo muita precipitação nos passes de contra-ataque. Em alguns jogos entre vocês, cheguei a ver quatro ou cinco reversões de posse de bola seguidas por erro de passe. Reparem nesses videos como é raro alguém errar um passe. A bola sempre circula pelos lados do campo e no perímetro do ataque. Na dúvida se o passe pode ou não ser interceptado, as equipes sempre optam pela segurança. Por exemplo, dificilmente é dado um passe que passe por cima de um defensor. É sempre por fora do alcance dele.

6- Estão sendo feitas muitas faltas com excesso de vigor, sem necessidade, isto é, a bola está longe do gol, não há o menor perigo e o defesa atropela o atacante como se fosse um touro indo na capa do toureiro. Os árbitros do Rio comentaram que preferiram não apitar para não confundir ainda mais o pessoal, mas se fosse em um campeonato brasileiro, por exemplo, teria havido um número muito grande de expulsões, pois há uma instrução da FINA de que quando o jogador não visa a bola deve ser excluído.

7- Ainda na questão das faltas, notei que muitas vezes estão sendo feitas faltas desnecessárias e que ajudam o time atacante. Se um atacante recebe a bola na lateral, é muito mais negócio para o defesa cercá-lo com as mãos levantadas e não cometer a falta, deixando o tempo correr, do que fazer a falta e dar vários segundos para que os demais atacantes se coloquem próximos do gol enquanto o que sofreu a falta retarda a cobrança.

8- Com a não utilização da defesa por zona e menos chutes com bola virada, a maioria dos goleiros está jogando com as mãos muito afundadas e com dificuldades para se mover lateralmente quando a bola gira no ataque.

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